TAROT: UM PASSEIO PELOS ARQUÉTIPOS

A história contada pelo Tarô transmite uma verdade arquetípica que tem raízes no inconsciente coletivo profundo e remonta aos primórdios da conscientização humana, ela fala sobre a aventura em busca do bem de difícil alcance, a partir de uma perda ou de uma incumbência que o herói tem de realizar. Pondo-se a caminho, o herói encontra orientadores e adversários, consegue um encantamento mágico, enfrenta e vence o inimigo, não raro sendo ferido, e finalmente, consegue obter o que procurava, retornando ao lar.Os Arcanos Maiores começam com a carta zero (0), O Louco, que simboliza a fonte espiritual primitiva, representa a ingenuidade e desprendimento, características das almas inexperientes ou muito jovens. O Louco, em sua viagem, irá passar pelas etapas de aprendizagem retratadas nas outras cartas dos Arcanos Maiores. Encontramos as experiências fundamentais da infância nas cinco primeiras cartas – nossos pais interiores do espírito e da imaginação no Mago (I) e na Sacerdotisa (II), os pais terrenos na Imperatriz (III) e no Imperador (IV), os ensinamentos e a espiritualidade no Hierofante (V). Reconhecemos os conflitos e as paixões adolescentes nas cartas dos Enamorados (VI) e tomados de coragem saímos a percorrer o mundo no Carro (VII). Seguindo, iremos nos encontrar com os tribunais da vida e responder por aquilo que fizemos na carta da Justiça (VIII), para então amadurecer e encontrar nossa luz interior no Eremita (IX). Deparamo-nos com o destino e as súbitas mudanças da vida na Roda da Fortuna (X), e buscamos superar nossos impulsos e instintos através da Força (XI). Então mergulhamos em uma profunda crise no Enforcado (XII), para sairmos transformados pela Morte (XIII) e encontrarmos o equilíbrio perfeito na Temperança (XIV). Mas as provas mais difíceis da jornada ainda estão por vir. Experimentamos as tentações do poder e dos desejos mundanos no Diabo (XV) e na Torre (XVI) somos atingidos por um raio divino que destrói nossas ilusões. Desamparados, acabamos compreendendo, porém, que nossa alma foi libertada, e encontramos esperanças, vislumbrando o futuro, na Estrela (XVII). Chega o momento em que devemos enfrentar a última e mais complexa prova do caminho, passando pelas armadilhas inconscientes da Lua (XVIII). Até que, finalmente, a luz vence a escuridão com a chegada do Sol (XIX), para nos reconciliamos com a vida no Julgamento (XX) e encontrarmos a totalidade no Mundo (XXI).Ao chegar no Mundo, o Louco já não é mais uma criança pura e inocente, mas uma pessoa madura e consciente de si e do ambiente que o cerca. O Mundo fecha um ciclo, resolve uma questão ou uma dúvida, cumpre-se uma etapa. Mas novas outras situações vão se instalar, e o Louco vai reaparecer, dando início a mais uma viagem pelos fascinantes mistérios da alma.

Adaptado de um texto de Paulo Urban – Revista Planeta, ano 2000.

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